Grupo de Estudos Avançados em Saúde e Exercícios

Fisiologia

Hipertensão e atividade física

Bruno Fischer

20/04/2003

Hipertensão, geralmente conhecida como pressão alta, é o estado em que a pressão arterial se encontra elevada, ou seja, igual ou acima dos níveis de 140mmHg de pressão sistólica e 90mmHg de pressão distólica. A hipertensão é considerada como uma das principais doenças crônico-degenerativas, e cerca de uma em cada cinco pessoas terá, em algum momento de suas vidas, a pressão arterial anormalmente aumentada. A hipertensão pode desencadear varias complicações como: acidente vascular cerebral, doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, insuficiência renal crônica, doença vascular de extremidades, etc. Cerca de 95% dos casos de hipertensão tem causa desconhecida, mas sabe-se que a maioria tem um grande constituinte genético. 

Algumas providências podem ser tomadas como forma de tratamento não farmacológica para a hipertensão, são elas: baixo consumo de sal e gorduras saturadas, baixa ingestão de bebidas alcoólicas, abstinência do cigarro e, principalmente, exercícios físicos regulares devem ser impostos na rotina do hipertenso. O exercício físico contribui de forma significativa reduzindo o percentual de gordura, diminuindo a resistência periférica, a freqüência cardíaca e a pressão sangüínea. 

Recentes estudos têm demonstrado que exercícios aeróbios de intensidade baixa e moderada tem um importante papel na redução da pressão arterial em indivíduos hipertensos (KOKKINOS et al, 2001; MUGHAL et al, 2001; KINGWELL & JENNINGS, 1993.) Em um estudo realizado em 1993 na Washington University School of Medicine, foi analisada a influência do treino em intensidade baixa e moderada em indivíduos hipertensos. Os grupos de intensidade baixa e moderada realizaram exercícios aeróbios com 53 e 73% do VO2 máx, respectivamente, durante 9 meses. A pressão diastólica em ambos os grupos teve uma redução média de 11mmHg, enquanto a pressão sistólica teve uma redução de 20 mmHg no grupo de baixa intensidade e de 8mmHg no grupo de moderada intensidade. O VO2 máx aumentou 28% no grupo de intensidade moderada, mas não tevenenhuma melhora no grupo de intensidade baixa.

 Um outro estudo interessante foi realizado por HOQUE et al, em 1998. Nesse estudo os pesquisadores combinaram exercício com dieta, e conseguiram obter resultados extremamente expressivos na redução da pressão arterial em indivíduos hipertensos. O grupo que fez dieta e exercício reduziu a pressão diastólica em 24,7mmHg e a sistólica em 32,8mmHg. O ACSM (American College of Sports Medicine) também recomenda exercícios aeróbios como uma estratégia não farmacológica no tratamento da hipertensão. 

Hoje em dia é muito comum a prática de exercícios resistidos (musculação) com intuito de promover uma melhoria na saúde, porém muitos profissionais desatualizados contra-indicam essa prática para indivíduos hipertensos acreditando que não exista nenhum benefício, e sim prejuízos. De fato a pressão arterial é aumentada durante exercício de força, mas no repouso essa pressão acaba sofrendo reduções significativas. Uma meta-analise realizada por KELLEY em 1997 estudou os efeitos do exercício resistido dinâmico (musculação) na pressão sistólica e diastólica em adultos. KELLEY encontrou reduções de 3 e 4% da pressão sangüínea sistólica e diastólica de repouso, respectivamente. O ACSM recomenda os exercícios com pesos como forma de exercícios para redução da pressão sangüínea em indivíduos hipertensos, apenas se forem realizados em circuito. HARRIS & HOLLY (1987), publicaram um estudo demonstrando que o treinamento com pesos em circuito aumenta significativamente os níveis de força, melhora a composição corporal e o condicionamento cardiorespiratório, além de reduzir significamente a pressão diastólica. 

Considerações Finais
 

A realização de atividade física se mostra muito eficiente para prevenir e tratar a hipertensão. Exercícios aeróbios de baixa e moderada intensidade (entre 40-80% do VO2máx) realizados por um período de 20-60 minutos entre 3-5 vezes por semana promovem os melhores resultados. O treinamento com pesos, isoladamente, não é recomendado como única forma de terapia não farmacológica, mas a combinação de aeróbios e musculação traz grandes benefícios para o hipertenso, já que o treino com pesos ajuda no emagrecimento, aumenta os níveis de força e massa muscular, melhorando a auto estima e o perfil psicológico. Lembre-se que antes de iniciar o programa de exercícios, é indispensável um exame cardiológico completo com o intuito de identificar possíveis riscos cardíacos.

 

Referências


AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. Position Stand. Physical activity, physical fitness, and hypertension. Med Sci Sports Exerc 1993 Oct;25(10):i-x.

FISHER MM. The effect of resistance exercise on recovery blood pressure in normotensive and borderline hypertensive women. J Strength Cond Res 2001 May;15(2):210-6. 

GEORGE K. Dynamic resistance exercise and resting blood pressure in adults: a meta-analysis. J Appl Physiol. 82(5):1559-1565, 1997. 

HARRIS KA, HOLLY RG. Physicological response to circuit weight training in bordeline hypertensive subjects. Med Sci Sports Exerc, 1987 Jun; 19(3):246-52. 

KINGWELL BA, JENNINGS GL. Effects of walking and other exercise programs upon blood pressure in normal subjects. Med J Aust 1993 Feb 15;158(4):234-8. 

KOKKINOS PF, NARAYAN P, PAPADEMETRIOU V. Exercise as hypertyensive therapy. Cardiol Clin 2001 Aug; 19(3):507-16.

MUGHAL MA, ALVI IA, AKHUND IA, ANSARI AK. The effects of aerobic exercise training on resting blood pressure in hypertensive patients. J Pak Med Assoc 2001 Jun;51(6):222-6.