Grupo de Estudos Avançados em Saúde e Exercícios

Variedades

Um recado para os fanáticos

Paulo Gentil

 

Um amigo meu tinha como o seu sonho de consumo comprar um carro esporte vermelho, desses vermelhos cujo brilho ofusca os olhos, ele afirmava que não poderia ser feliz enquanto não tivesse o tal carro. Para alcançar seu objetivo foi necessário trabalhar duro... Até que um dia conseguiu realizar seu sonho. O carro era perfeito, tudo estava ótimo. Mas inesperadamente ele descobriu que havia um arranhão na lataria... Que droga! O carro era perfeito. Tudo estava ótimo. Como nunca tinha visto esse arranhão "enorme"? (na verdade deveria ter uns cinco centímetros).
O carro continuava lindo era tudo que ele queria, se não fosse pelo maldito arranhão, que a princípio, só ele enxergava. Digo a princípio porque este "enorme" arranhão o incomodava de tal maneira que tomou desgosto pelo carro, simplesmente aquele carro dos sonhos já não era mas tão "dos sonhos" assim... porque estava arranhado. O motor era ótimo, o carro tinha um acabamentointerno maravilhoso, tudo estava em ordem, exceto... Pois bem, o incômodo era tanto que meu amigo já não conseguia mais esconder sua infelicidade.

Sempre que ouvia um elogio sobre seu carro respondia: "Que nada. Olha esse arranhão!". E a situação cresceu de tal maneira que ninguém mais gostava do carro, a primeira coisa que vinha a cabeça quando se olhava aquele maravilhoso veículo era o seu (único) defeito. Chegou a um ponto em que ele parou de cuidar do carro, o motor já não funcionava tão bem e o acabamento internoestava sujo e envelhecido. Enfim, o carro estava uma lástima. Meu amigo, então, tentou se desfazer dele, mas era difícil pois sempre começava a descreve-lo pelos seus defeitos (primeiro o arranhão, é claro). Até que passou o carro praticamente de graça para uma pessoa que já o comprou desvalorizado e assim o deixou, porque tinha medo de arrumá-lo e os outros "ficarem de olho". Então o belíssimo carro vermelho, daqueles vermelhos cujo brilho ofusca os olhos, terminou sendo usado como um carro qualquer por uma pessoa que sabia que ele era um carrão mas simplesmente o queria uma porcaria, porque era mais conveniente assim. E tudo isso porque? Isso mesmo, por causa de um pequeno arranhão.

Se você tem algo (seu corpo ou você mesmo, por exemplo), não comece a vê-lo (ou ver-se) pelos defeitos, e muito menos a descreve-lo aos outros pelos defeitos, pois, com certeza, existe muita coisa boa além dos arranhões, que por sinal todo mundo tem. Nunca se atenha às imperfeições, descuidando das suas qualidades, ou você corre o risco de ter um final parecido com a estória do meu amigo que continuou infeliz e deixou seu bem de maior valor nas mãos de uma pessoa que não o valoriza.