Grupo de Estudos Avançados em Saúde e Exercícios

Variedades

Ginástica Rítmica Desportiva

Bruno Noronha

17/05/2004

“Exaltação do movimento da velocidade, do dinamismo contínuo, o que interessa é captar e revelar a própria sensação dinâmica, a multiplicidade de sensações que o homem do século XX percebe simultaneamente, desdenhar de todas as formas imitativas e glorificar todas as formas originais reeducando o olho humano”.(Marinetti, 1876-1944).

As belas palavras do pintor italiano Fellippo Marinetti se referem ao futurismo, uma arte em sintonia com a “era das máquinas”, da velocidade, do trabalho, da agitação que se definia esteticamente como renovador, antitradicional, heróico e dinâmico.

A Ginástica Rítmica é um esporte, mas assim como o futurismo, também deve ser analisada com olhos artísticos, pois a beleza e suavidade dos movimentos ginásticos e toda sua inventividade e criação exprimem esteticamente o renovador, o antitradicional, o heróico e o dinâmico em contraponto aos movimentos básicos utilizados usualmente pelo homem.

Ainda analisando com olhos artísticos, vemos a GRD como técnicas corporais conscientes por meio de livre associação de coreografias formando imagens expressas com auxílio de objetos e instrumentos, possuindo um universo único que é exteriorizado artisticamente pela complexidade de movimentos da natureza humana, movimentos esses, moldados através de treinos disciplinados, porém num ritmo frenético e repetitivo em série, demonstrando uma realidade perceptível através dos gestos e da música.

É um esporte que fascina o público já que rompe a barreira dos exercícios comuns, de encadeamento lógico, se tornando alusivo. Sem limitações normativas o ritmo é criado a cada momento como descargas profundas de alegria e beleza, delírios emocionais violentando o impulso natural de buscar coisas fáceis, sobretudo nos domínios da expressão corporal através de ritmo musical.

O ritmo decorre da sucessão de movimentos valorizados pela maior ou menor dificuldade de execução, a agilidade leva ao dinamismo que é moldado pela técnica. Variações estéticas nos gestos e a ânsia por coreografias inéditas são as bases para a evolução artística da Ginástica, o novo é sempre melhor desde que esteja dentro de padrões estabelecidos pelos árbitros e pelas “Leis da Física!”.

Cientificamente, esse surpreendente esporte, visto por um ângulo mais técnico, nos permite perceber de forma clara e objetiva a evolução da Biomecânica humana no seu mais alto grau de perfeição.

Nos últimos 250 mil anos o homem vem modelando e coordenando seus movimentos e habilidades motoras, do homo erectus ao homem contemporâneo o progresso do manejo corporal foi essencial para a sobrevivência e podemos dizer com toda autoridade que o requinte e o primor físico se fazem presentes durante uma apresentação de GRD.

Atualmente, a questão de bons resultados está diretamente ligada a patrocínios, preparar uma grande equipe requer grande investimento financeiro em longo prazo, o que dificulta a aplicação de capital nesse esporte, pois é uma atividade pouco divulgada e não atrai grande público.

Patrocinadores só aparecem nas vésperas das competições, de olho em uma fatia de exposição na mídia, mas o certo seria um investimento contínuo em busca de resultados positivos para atletas e patrocinadores. O investimento de “última hora”, não só na GRD, mas em tantos outros esportes, cria uma defasagem técnica em relação a países e equipes que possuem apoio financeiro nos períodos inter-competições.

A falta de iniciativas governamentais para facilitar a capacitação esportiva e a omissão de patrocinadores diante de esportes sem espaço na mídia contribui para o insucesso das equipes de GRD. Esperamos que os últimos resultados venham para mudar a conjuntura nacional e que esse esporte que nos proporciona imagens belíssimas, que desafiam o real e o imaginário e que definem o corpo humano como uma maravilha a ser estudada seja visto como instrumento de inclusão social, fonte de renda e orgulho nacional.

“A aptidão física não pode ser comprada nem concedida. Como a honra, ela deve ser merecida”. (Sharkey).